A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) manifestou preocupação com os impactos da tabela mínima obrigatória de fretes sobre a indústria, os caminhoneiros e o custo dos produtos no país. Segundo a entidade, as regras atuais aumentaram os custos do transporte, reduziram a competitividade das empresas e dificultaram o trabalho dos transportadores autônomos.
A tabela surgiu após a greve dos caminhoneiros de 2018 como uma referência para orientar os preços do transporte rodoviário. No entanto, ainda naquele ano, ela passou a ser obrigatória por lei. Recentemente, a Medida Provisória nº 1.343/2026 ampliou os efeitos da medida, aumentando também a fiscalização e o número de multas aplicadas.
Custos maiores e perda de competitividade
De acordo com a Fiep, alguns setores tiveram aumento de até 30% nos custos logísticos. O problema é ainda mais grave para produtos de menor valor agregado, como cal e calcário, onde em alguns casos o valor do frete chega a superar o valor da própria carga.
No Paraná, a situação afeta principalmente operações ligadas ao transporte de calcário, utilizado na agricultura. Segundo a entidade, muitas rotas deixaram de ser economicamente viáveis após a obrigatoriedade da tabela mínima.
Frete de retorno também foi afetado
Outro ponto citado pela federação é a dificuldade do chamado “frete de retorno”, prática comum entre caminhoneiros que aproveitam a viagem de volta para transportar outra carga e reduzir custos.
Segundo a Fiep, com a tabela obrigatória, muitas dessas operações deixaram de acontecer, principalmente em cargas de menor valor. Com isso, motoristas acabam ficando dias parados ou retornando sem carga, aumentando despesas com diesel, pedágios e manutenção.
Caminhoneiros relatam dificuldades
Transportadores autônomos também relataram impactos da medida.
O caminhoneiro Rogerio Coruja afirmou que as mudanças dificultaram principalmente o trabalho de quem possui caminhões menores. “Agora mudaram o modelo para cada tamanho de caminhão, o que dificultou bastante tanto para o embarcador quanto para a empresa que contrata”, disse.
Ele também afirma que caminhões de seis eixos perderam espaço nas operações. “Essa virou sucata, foi descartada hoje dos embarques, eles nem carregam”, relatou.
O caminhoneiro Mauro Rubens Brandt também criticou o modelo atual. “O jeito é encostar o caminhão e largar mão de trabalhar, não tem como”, afirmou.
Já o transportador Geraldo Sidney de Souza disse que o movimento diminuiu bastante após as mudanças. “O serviço diminuiu muito. A maioria dos autônomos hoje se encontra em casa, não estão tendo muito serviço”, declarou.
Fiep defende tabela apenas como referência
Diante do cenário, a Fiep defende que a tabela volte a ter apenas caráter referencial, permitindo negociações mais flexíveis entre empresas e transportadores.
A entidade afirma que segue atuando junto ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal e a entidades do setor produtivo para tentar mudar as regras atuais e reduzir os impactos sobre a economia e o transporte rodoviário.
As informações são da Fiep