Superintendente da entidade afirma que, sem alternativa de mercado, empresas paranaenses ficam sem pedidos e acumulam estoques
Por William Batista
Para muitos segmentos da indústria madeireira paranaense, os Estados Unidos não são apenas o principal cliente, são o único mercado possível. É o que afirma o superintendente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, ao comentar o impacto da tarifa de 50% imposta pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros do setor. Ele conversou com a nossa reportagem ontem (13).
Segundo Mohr, há nichos específicos, como o de molduras de madeira — usadas em larga escala no sistema construtivo wood frame típico das casas americanas, que não encontram demanda equivalente em nenhuma outra região do mundo.
“Essas empresas são focadas 100% no mercado americano, porque é o único mercado que tem esse tipo de construção em larga escala. Na Europa e na Ásia não existe esse mercado. De uma hora para outra, elas ficaram absolutamente sem pedido nenhum”, explica.
O superintendente destaca que indústrias de diferentes portes, com quadros que variam de 100 a 1.000 funcionários, foram afetadas de forma abrupta. Muitas adotaram férias coletivas e prolongaram a medida enquanto aguardam uma solução, mas não descartam demissões se a situação persistir.
Além do impacto direto nas fábricas, Mohr lembra que há um efeito em cadeia que atinge transportadores, prestadores de serviços, comércios e outros negócios locais.
“Não só o trabalhador direto, mas o dono do caminhão, o borracheiro, a lanchonete, o comércio… todos dependem desse setor.”
A Fiep defende que a única saída para preservar a atividade dessas empresas é reduzir ou eliminar a taxação por meio de uma negociação direta entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos.
“É fundamental sentar à mesa e buscar um acordo. Sem isso, essas empresas não terão para onde vender e não existe mercado que absorva, de forma imediata, o volume que hoje vai para os Estados Unidos.”