O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo, é considerado um dos principais inimigos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao longo de sua carreira, conduziu investigações e processos que atingiram o núcleo da facção criminosa.
Como consequência, tornou-se alvo direto do PCC e vive sob escolta 24 horas por dia. O promotor não frequenta lugares públicos sem segurança reforçada, evita exposição social e convive com restrições severas. Ele mesmo já afirmou que perdeu a vida social e que sua rotina é marcada por vigilância constante.
Aposentadoria e insegurança
Com a aposentadoria próxima, Gakiya revela outro temor: ficar sem proteção oficial. Ele alerta que, sem a escolta fornecida pelo Estado, promotores e delegados que enfrentaram a facção podem ficar vulneráveis.
“O PCC tem agido praticando crimes de natureza terrorista, como forma de vingança e intimidação das autoridades. Quem se aposenta fica sem a proteção do Estado, e isso gera um risco ainda maior”, afirmou em entrevista à CNN.
Morte de delegado aumenta a tensão
A preocupação ganhou ainda mais força após o assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, executado a tiros na noite de segunda-feira (15), em Praia Grande, no litoral paulista.
Fontes havia chefiado operações contra o PCC e, segundo as investigações, sua morte tem ligação com a facção criminosa. Para Gakiya, o crime reforça a necessidade de reconhecer a atuação do grupo como terrorismo, uma vez que seus ataques buscam intimidar, silenciar e desestimular o combate ao crime organizado.
Quem protege quem nos protege?
O caso expõe um dilema grave: quem defende a lei também precisa de proteção permanente. Promotores e delegados que arriscaram a vida para enfraquecer o PCC agora vivem sob ameaça constante, mesmo depois de deixar seus cargos.
Enquanto as investigações sobre a morte do delegado seguem em andamento, cresce a pressão para que autoridades reforcem a segurança de profissionais que enfrentaram diretamente o crime organizado.
Com informações da CNN Brasil