Uma mulher de 42 anos morreu em Palmital, na região central do estado, a cerca de 135 quilômetros de Guarapuava, depois de ser agredida durante uma briga, em via pública, em uma cena que foi parcialmente registrada pela própria filha, uma criança de apenas 10 anos. O caso aconteceu no fim da tarde e início da noite de segunda-feira (5) e terminou com a prisão de uma mulher de 33 anos, agora indiciada por homicídio.
Assista a reportagem mais abaixo.
A vítima é Maria Aparecida Ribeiro de Faria. Segundo a Polícia Civil, ela foi atacada com socos, chutes e puxões de cabelo durante uma briga na rua. A agressão foi filmada em vídeos. A reportagem teve acesso a dois deles. [Nós borramos as imagens em respeito à vítima e para preservar a criança]. Em um deles, feito pela própria filha da vítima, a gravação é interrompida em determinado momento. Em outro vídeo, é possível ver a criança se aproximando e tentando, sem sucesso, separar a briga. Na mesma gravação, aparece também um homem apenas filmando a cena, sem intervir.
De acordo com a Polícia Civil, esse homem já foi ouvido e a conduta dele está sendo analisada. A polícia apura se houve omissão, já que ele seria o marido da vítima.
Segundo a Polícia Civil, a briga teria sido motivada por ciúmes e boatos envolvendo um homem que seria vizinho de Maria Aparecida. Comentários sobre um suposto flerte teriam provocado o desentendimento que acabou se transformando em agressão, informou a polícia.
O delegado Márcio Cristiano da Silva da Rocha explicou que a vítima era considerada uma pessoa vulnerável, pois sofria de problemas cardiorrespiratórios e dependia de balão de oxigênio para respirar. Mesmo ferida, Maria Aparecida conseguiu acionar a polícia logo após a agressão. Em um áudio enviado ao delegado pouco depois da briga, ela relatou: “Tô com muita dor no peito, porque ela sentou em cima… muita dor no peito e muita dor na cabeça também”.
Após o chamado, os agentes iniciaram buscas e localizaram a suspeita em casa. Ela recebeu voz de prisão e foi levada para a delegacia. Já a vítima foi encaminhada para atendimento na unidade de saúde de Palmital, onde os médicos constataram lesões na cabeça e em várias regiões do corpo. Depois de passar por exames, Maria Aparecida chegou a ser liberada.
Durante a madrugada, no entanto, o quadro de saúde dela piorou. A vítima voltou a passar mal, foi novamente levada ao atendimento médico e morreu por volta das 3h. Com a confirmação do óbito, a Polícia Civil acionou a Polícia Científica e o Instituto Médico Legal para a realização das perícias que vão indicar oficialmente a causa da morte.
Segundo o delegado, inicialmente a suspeita havia sido presa por lesão corporal de natureza grave, mas com a morte da vítima, o caso passou a ser tratado como homicídio. Ele afirmou que foi lavrado o flagrante e, em seguida, representada a prisão preventiva, mantendo a mulher presa. A investigação agora apura se o crime será enquadrado como homicídio qualificado com dolo eventual, já que a suspeita teria assumido o risco de provocar a morte ao agredir uma pessoa com graves problemas de saúde.
Ainda conforme a Polícia Civil, já na delegacia, a suspeita tentou se enforcar usando tiras de uma coberta. A ação foi percebida pelas câmeras de segurança e pelos policiais, que intervieram imediatamente, cortaram o material e acionaram o Samu. Ela foi atendida e levada para avaliação médica antes de retornar à custódia.
O velório de Maria Aparecida ocorre na Capela Municipal de Palmital. O sepultamento está marcado para esta quarta-feira (7), no Cemitério Municipal, em horário ainda não divulgado.
A Polícia Civil informou que novas testemunhas ainda serão ouvidas e que o inquérito segue em andamento para esclarecer todos os detalhes da agressão, a causa técnica da morte, a responsabilidade criminal da suspeita e a eventual omissão de pessoas que presenciaram a cena sem intervir.