Quatro meses depois do atropelamento que matou Marcos Rodrigo da Silva, conhecido como DJ Urso, de 46 anos, e deixou o primo dele, Renato Gonçalves, de 57, com sequelas graves e permanentes, a família voltou às ruas para cobrar respostas das autoridades. O crime ocorreu em Guarapuava, em setembro do ano passado, mas o protesto foi realizado em Pinhão, no último domingo (25), porque é no município que a caminhonete envolvida foi localizada e onde moram os suspeitos de envolvimento no caso.
A carreata e a manifestação marcaram uma nova etapa da mobilização em torno do caso. A partir de agora, segundo Alexandre Viante, advogado da família de Marcos, o foco passa a ser a cobrança por avanços concretos no inquérito policial, pela realização da reconstituição do crime e, principalmente, pela definição de quem será formalmente acusado pelo atropelamento.
Atento News apurou
Na tarde desta segunda-feira (26), a reportagem do Atento News conversou com Alexandre Viante, advogado da família de Marcos. Segundo ele, o procedimento segue em fase de inquérito policial e ainda não foi transformado em ação penal. A principal pendência, de acordo com o advogado, é a identificação definitiva de quem conduzia a caminhonete no momento do atropelamento, para que seja possível apresentar a acusação formal.
“Por enquanto o processo ainda está em inquérito. A gente espera conseguir logo entrar com o processo criminal, porque precisa identificar quem era o condutor na época dos fatos para que a gente possa entrar com o real criminoso no processo”, afirmou.
Sobre o atropelamento

O atropelamento aconteceu na noite de 20 de setembro do ano passado, às 20h54, na Vila Bela, em Guarapuava. Marcos e Renato haviam parado em uma conveniência para comprar cigarros e, quando voltavam para o carro, foram atingidos por uma caminhonete Frontier de cor prata, que, segundo os relatos reunidos pela investigação, trafegava em alta velocidade. O veículo não parou para prestar socorro e fugiu do local, configurando, além do homicídio no trânsito, os crimes de omissão de socorro e fuga da responsabilidade.
As consequências foram imediatas. Marcos chegou a ser socorrido e levado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Renato sofreu lesões gravíssimas, incluindo fratura exposta na cabeça, foi levado para a UTI, ficou em estado grave e sobreviveu, mas com sequelas. Segundo a família, ele segue em tratamento, sente dores muito fortes, não tem condições de retomar uma vida normal e não está apto para trabalhar, dependendo da ajuda de outras pessoas para as atividades do dia a dia.
O que se sabe
Segundo o advogado Alexandre Viante, após o atropelamento, surgiram informações de que, naquela mesma noite, havia um rodeio em um CTG nas proximidades, e que uma caminhonete com as mesmas características teria sido vista no local do evento. A partir disso, a Polícia Civil recolheu imagens de câmeras de segurança na Vila Bela e de comércios próximos e conseguiu identificar e localizar o veículo, que seria de Pinhão.
A defesa solicitou então a busca e apreensão da caminhonete para a realização de perícia técnica. O veículo foi encontrado em uma mecânica do município, apreendido e encaminhado à Polícia Civil. Segundo o advogado, a perícia constatou danos compatíveis com o atropelamento, como amassamentos e faróis quebrados, reforçando a conclusão de que foi aquela caminhonete a utilizada no crime.
Com base nesses elementos, a defesa pediu a oitiva das pessoas ligadas ao veículo, incluindo o proprietário e os possuidores. O advogado explica que os nomes não podem ser divulgados, pois, até o momento, são apenas suspeitos. O que já é possível afirmar, segundo ele, é que os responsáveis são moradores de Pinhão e que a caminhonete é do município.
Ainda não há confirmação oficial se havia somente uma ou duas pessoas no veículo no momento do atropelamento. Existe a suspeita de que pudesse haver um casal, por serem os possuidores do carro, mas há testemunhas que afirmam que apenas uma pessoa conduzia a caminhonete naquela noite, segundo o advogado.
Pedido por justiça
Um dos pontos que mais revolta a família é a lentidão da investigação. O advogado informou que o recesso do Judiciário contribuiu para que o caso ficasse praticamente parado por um período e, mesmo depois disso, o avanço tem sido lento. Ele relata dificuldade constante de contato tanto com a investigadora responsável quanto com o delegado. “Já faz quatro meses que está esse caso. A gente tenta contato, mas é difícil. A gente só está à espera do delegado decidir quem ele vai colocar na acusação”, disse.
O que diz a Polícia Civil
Na última quinta-feira (22), questionada pela imprensa, a Polícia Civil informou que o caso é tratado como homicídio culposo na direção de veículo automotor e omissão de socorro. Também informou que um casal foi ouvido e responde em liberdade. O comunicado oficial diz ainda que o delegado responsável pela investigado, Dr. Alysson Henrique de Souza, está de férias e não irá se manifestar sobre o caso.
Defesa da família pede reconstituição do caso
Entre os próximos passos considerados fundamentais pela defesa está a reconstituição do atropelamento, pedido já formalizado junto à Polícia Civil. A intenção é refazer a cena do crime no mesmo local, no mesmo horário e em condições semelhantes, para avaliar fatores como visibilidade, iluminação e a possibilidade de o motorista ter evitado o impacto. Segundo o advogado, isso é essencial para evitar futuras alegações de defesa, como a de que não teria sido possível ver as vítimas por causa da escuridão ou das condições da via.
Protesto em Pinhão

Foi em meio a essa espera por respostas que a família decidiu organizar o protesto realizado no domingo (25). Familiares, amigos e moradores de Pinhão se reuniram a partir das 9h da manhã, com carros de som, e realizaram uma carreata pelas principais ruas da cidade. Durante o percurso, foram exibidas mensagens pedindo Justiça, tocadas músicas que DJ Urso costumava tocar e erguidos cartazes e faixas. Também foram levadas fotos dele com a família e em apresentações como DJ. O ato passou por ruas da cidade, parou em frente ao fórum e terminou na delegacia da Polícia Civil.
Marcos tinha 46 anos e trabalhava como apontador em uma empresa conhecida da área de infraestrutura em Guarapuava, função ligada ao controle de produção, registro de horas de trabalho, materiais e andamento dos serviços. Nos fins de semana, atuava como DJ.
Ele morava com a mãe, que é idosa e precisa de cuidados especiais. Ao Atento News, o advogado explicou que era Marcos quem sustentava a casa, pagava as contas e garantia as condições básicas. Após sua morte, a mãe passou a enfrentar dificuldades financeiras e de cuidado, e a outra filha precisou assumir parte dessa responsabilidade.
Reportagem de William Batista