A sequência de casos começou em Santa Catarina, passou pelo Paraná e, agora, chegou a Minas Gerais. Em comum, todos envolvem cães comunitários, aqueles animais que vivem nas ruas, mas são conhecidos, alimentados e cuidados por moradores. Em poucas semanas, episódios de violência contra esses cães chamaram a atenção pela crueldade e pela repetição em diferentes partes do país.
O caso mais recente foi registrado em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e aconteceu depois de outros dois episódios que já haviam causado grande comoção nacional.
Cão Orelha, Santa Catarina
A morte do cão Orelha foi em Florianópolis. O animal, de cerca de 10 anos, era um cachorro comunitário conhecido pelos moradores da Praia Brava, tratado como um verdadeiro mascote.

Na noite de 4 de janeiro, Orelha foi encontrado agonizando após sofrer uma sessão de tortura. Ele chegou a ser levado a uma clínica veterinária, mas precisou ser submetido à eutanásia no dia seguinte, devido à gravidade dos ferimentos. A Polícia Civil identificou quatro adolescentes como responsáveis pelo ato.
A juíza Vanessa Cavalieri alertou que casos como esse não são isolados e apontou para o crescimento de atos de violência extrema cometidos por jovens, muitas vezes influenciados por ambientes digitais e pela falta de supervisão familiar.
Cão Abacate, Toledo, aqui no Paraná
Poucos dias depois, o cão Abacate, também comunitário, foi morto com um tiro, em Toledo.

A bala atravessou o corpo do animal e atingiu os rins. A polícia informou que houve intenção de matar e investiga quem foi o autor do disparo.
Assim como Orelha, Abacate era cuidado pelos moradores da região e fazia parte da rotina do bairro onde foi morto. A morte do animal reacendeu o debate sobre a falta de proteção aos cães comunitários e a necessidade de punição para casos de maus-tratos.
Caso mais recente: Minas Gerais
O episódio mais recente aconteceu na última quarta-feira (28), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Casinhas comunitárias que serviam de abrigo para cães de rua foram incendiadas no bairro Jardim Canadá.

Um homem foi flagrado ateando fogo nas estruturas, usadas há mais de 10 anos. Imagens do incêndio foram divulgadas nas redes sociais pela ONG Adote Jardim Canadá.
Em uma publicação, a entidade relatou uma cena que comoveu moradores: cães deitados sobre as cinzas, tentando se proteger exatamente onde antes havia abrigo. Segundo a ONG, a maioria dos animais que vive no local é idosa. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que não houve registro formal da ocorrência.