As imagens do projeto do Mercado Municipal de Guarapuava, divulgadas ontem (19) pela Prefeitura, chamaram a atenção nas redes sociais e despertaram a curiosidade de muitos moradores, com a ideia de ter na cidade um espaço voltado à venda de produtos frescos, gastronomia e convivência, algo já comum em grandes centros.
Na divulgação institucional, o município informou que a documentação técnica já foi aprovada e que o processo deve avançar para a fase de licitação. Para detalhar o que está previsto no projeto, em que etapa ele se encontra e quais são os próximos passos, a reportagem do Atento News esteve na Prefeitura nesta sexta-feira (20) e conversou com o prefeito Denílson Baitala e com o secretário de Planejamento e Urbanismo, Thiago Pfann.
Aprovação técnica e trâmite até a licitação
Segundo Pfann, o projeto passou integralmente pela análise do Paraná Cidade, serviço social autônomo vinculado à Secretaria de Estado das Cidades do Governo do Paraná, responsável pela validação técnica e financeira de empreendimentos municipais financiados em parceria.

“O Mercado Municipal de Guarapuava recebeu a notícia de estar 100% aprovado pelo Paraná Cidade, que é o órgão que faz essa análise. Agora nós aguardamos a assinatura do convênio com o Governo do Estado para, posteriormente, iniciar o processo licitatório aqui dentro do município”, explicou.
De acordo com o secretário, a Prefeitura já concluiu a parte documental que lhe compete e aguarda apenas a formalização do convênio para dar início ao rito administrativo.
“A documentação preparatória para licitação, aquilo que é competência nossa, já está pronta. Assim que houver a assinatura, iniciamos o processo, que não tende a ser demorado, mas depende dessa autorização formal”, completou.
Local escolhido e dimensão da obra
O Mercado Municipal será construído no espaço onde atualmente funciona o estacionamento do Parque de Exposições Lacerda Werneck, em uma área considerada estratégica pela administração municipal. A estrutura prevista terá aproximadamente três mil metros quadrados de área construída.

“O mercado vai ser implantado naquela área do estacionamento. São três mil metros quadrados de construção numa região nobre da cidade”, detalhou Pfann.
A escolha do local, segundo ele, está vinculada a um planejamento urbano mais amplo, que envolve a transferência das atividades do parque para outra região e a requalificação do espaço atual.
“A gente cogitou outros lugares, mas entendemos que aquela área, no coração da cidade, tinha potencial maior dentro de um projeto de urbanização. O mercado será o pontapé inicial para requalificar toda aquela região e valorizar o entorno”, afirmou.
Estrutura interna e modelo de funcionamento
As imagens divulgadas pela Prefeitura mostram um complexo arquitetônico voltado à circulação de público e à comercialização de diferentes segmentos. O secretário explicou que o conceito do Mercado Municipal foi inspirado em referências existentes no Paraná e em outras regiões do país.

“Ele foi concebido olhando outros mercados existentes. Pensamos em boxes e também em algumas lojas fixas, com comercialização de secos e molhados, hortifrúti, pescado e uma área gastronômica com restaurantes”, disse.
Além do comércio direto, o projeto prevê espaços voltados à convivência e à realização de atividades culturais e turísticas.
“Não é só um espaço de venda de produtos. Também é pensado para gastronomia, pequenos eventos culturais e para atrair turismo”, acrescentou.
Investimento e objetivos econômicos
O prefeito Denílson Baitala destacou que o Mercado Municipal é uma demanda histórica da cidade e confirmou o valor estimado do investimento.
“É um anseio da população de Guarapuava há muitos anos. Desde que eu era gurizinho se falava do Mercado Municipal. São vinte e seis milhões de reais que serão investidos onde hoje fica o estacionamento do Parque de Exposições”, afirmou.
Segundo ele, um dos principais objetivos é aproximar a produção rural do consumidor urbano, fortalecendo cadeias locais.
“A ideia é aproximar o homem do campo da população da cidade, trazer o pequeno e médio produtor para um espaço moderno, para que a população tenha acesso a produtos frescos”, disse.
Baitala também mencionou que o espaço deverá abrigar diferentes frentes econômicas ligadas à identidade regional.
“Estamos pensando na gastronomia, nas cervejarias, na vinicultura que está crescendo em Guarapuava. É fomentar a economia e valorizar o produtor da nossa terra”, pontuou.
Prazos ainda indefinidos
Apesar do avanço documental, a Prefeitura não apresentou datas fechadas para início e conclusão das obras. O secretário explicou que o cronograma depende da assinatura do convênio e da licitação, mas fez uma estimativa de duração da construção.
“É difícil cravar datas, mas é uma obra de porte considerável. Não podemos esperar menos de doze meses de construção. Acredito que, em dezoito meses, seja possível concluir”, afirmou.
Ocupação dos boxes será por chamamento público
Outro ponto esclarecido pela administração municipal diz respeito à ocupação dos espaços comerciais. Segundo Pfann, haverá processo público de seleção.
“A utilização do espaço passa por chamamento público. Todos que tenham interesse em comercializar poderão participar. É um processo aberto, não é decisão individual”, explicou.
Ele acrescentou que o projeto já prevê a segmentação por tipo de atividade.
“Cada box terá sua especialidade, como pescado, carnes, frios, entre outros.”
Saída do parque e criação de centro de eventos
A implantação do Mercado Municipal está diretamente ligada à reorganização do atual Parque de Exposições. Baitala afirmou que o espaço, hoje localizado em área central, será transferido.
“O nosso parque de exposições está encravado no coração da cidade. Tem que sair de lá”, disse.
Segundo ele, o terreno para a nova estrutura foi doado pelo Núcleo de Produtores de Bezerros, por meio da Sociedade Rural e do Sindicato Rural, com área de cinco alqueires às margens da BR-277, na região do Residencial 2000.
“Fizeram a doação de um terreno próximo ao trevo do 2000. Uma área bem localizada”, afirmou.
A proposta, segundo o prefeito, é ampliar o conceito do espaço.
“Não estamos falando mais em parque de exposições. Estamos falando do Centro de Eventos de Guarapuava.”
Ele citou ainda o investimento estimado para essa nova estrutura.
“Será um investimento de setenta e três milhões de reais no novo centro de eventos.”
Nos próximos dias a Prefeitura deve fazer um anúncio oficial com mais detalhes sobre o novo espaço e o projeto do futuro Centro de Eventos.
Mercado como início da reurbanização
Para a Secretaria de Planejamento, o Mercado Municipal não é uma obra isolada, mas o primeiro movimento de reorganização urbana daquela região da cidade.
“O Mercado Municipal vai ser o pontapé inicial para requalificar aquela área”, resumiu Pfann.
Com a aprovação técnica concluída e a licitação aguardando autorização formal, o projeto entra agora na fase que antecede a contratação da empresa responsável pela obra, etapa que deve definir, na prática, quando o Mercado Municipal começará a sair do papel.
Por William Batista e Cleo Ferreira