A reportagem do Atento News encontrou seu Alfredo Schulze no Parque de Exposições Lacerda Werneck, em Guarapuava e, junto com ele, uma verdadeira relíquia sobre rodas.
A Veraneio 1974 não estava ali por acaso, nem fica permanentemente no local. Seu Alfredo frequenta o espaço com frequência, faz parte da organização e ajuda a cuidar do local. E passa por ali com o carro que guarda há cerca de 40 anos.
Mais do que um veículo, a caminhonete representa uma história de vida.
Nascido em 1945, ele conta com orgulho um detalhe curioso que sempre ouviu do pai: veio ao mundo um dia depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Uma lembrança que ajuda a dimensionar o quanto de história ele carrega, assim como a Veraneio.
A Veraneio entrou na vida dele ainda quando trabalhava na área de petróleo. O veículo foi adquirido após um leilão e acabou fazendo parte de um acerto com a empresa na época. Desde então, nunca mais saiu da família.
Mas o valor vai além da posse.
“Já sofri um acidente com ela. Me salvou a vida. Porque isso aqui tem resistência, aguenta o tranco”, relembrou.
Ao longo das décadas, seu Alfredo cuidou da caminhonete como quem cuida de um patrimônio. Já desmontou e restaurou o veículo várias vezes, chegando a deixar apenas o chassi para reconstruir praticamente tudo.
A dedicação virou referência. Ele também ajudou a restaurar outras Veraneios, incluindo uma que pertenceu ao ex-prefeito de Guarapuava, Nivaldo Kruguer.
Hoje, a caminhonete segue rodando e chamando atenção por onde passa.
“Todo mundo curte”, resume.
UM ÍCONE SOBRE RODAS
A Chevrolet Veraneio é considerada um dos veículos mais icônicos da indústria automobilística brasileira. Produzida pela General Motors entre 1964 e 1994, foi inspirada na Suburban americana e ganhou o nome oficialmente em 1967.
Conhecida pela resistência e pelo tamanho, a Veraneio marcou época no Brasil. Foi utilizada como viatura policial, ambulância e também em diferentes serviços públicos ao longo das décadas.
O modelo de seu Alfredo, de 1974, também passou por adaptações. Originalmente a gasolina, foi convertido para diesel, uma mudança comum na época para quem buscava mais economia e durabilidade.
RARIDADE EM GUARAPUAVA
Hoje, encontrar uma Veraneio em circulação não é tarefa fácil. Em Guarapuava, segundo seu Alfredo, são poucas unidades rodando.
“Se tiver umas quatro ou cinco é muito”, estima.
Mesmo com o passar do tempo e a dificuldade para encontrar profissionais especializados, ele mantém o veículo em funcionamento. Ainda pensa em fazer novos reparos, mas esbarra na falta de mão de obra voltada para carros antigos.
VALOR QUE NÃO SE MEDE
No mercado de colecionadores, modelos como esse podem ultrapassar os R$ 100 mil. Mas, para seu Alfredo, não há negociação possível.