Um vídeo que circula nas redes sociais provocou repercussão sobre a atuação da Polícia Militar durante uma comemoração do resultado das eleições presidenciais em Guarapuava, na noite de domingo (25). A ocorrência foi registrada em frente a um bar universitário, na Rua Padre Chagas, região central da cidade, onde apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estavam reunidos após a divulgação do resultado do segundo turno.
As imagens mostram momentos de tensão entre policiais militares e participantes da comemoração. Um dos trechos que mais chamam a atenção registra a abordagem a uma mulher, que aparece cercada por pelo menos 3 policiais, entre eles uma policial feminina. Em determinado momento, um dos agentes se aproxima por trás e aplica uma gravata, imobilizando a mulher pelo pescoço.
A intervenção terminou com a detenção da mulher. Participantes também relatam o uso de spray de pimenta, gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha durante a ocorrência.
O Partido dos Trabalhadores (PT) de Guarapuava divulgou uma nota de repúdio, denunciando violência policial contra militantes. Já a Polícia Militar do Paraná (PMPR), em manifestação oficial encaminhada à imprensa nesta segunda-feira (26), afirmou que atuou para garantir o direito de manifestação e restabelecer a ordem pública diante de condutas ilícitas.
As circunstâncias que motivaram a intervenção, a sequência completa dos acontecimentos e a eventual ocorrência de excessos ainda precisam ser esclarecidas.
Vídeo e relatos de participantes repercutem nas redes sociais
Entre as manifestações que circulam na internet está uma publicação do perfil @allexandreparana, no Instagram.
No relato, o autor afirma que a chegada de viaturas policiais foi seguida, em poucos minutos, por uma intervenção que provocou medo entre as pessoas presentes.
“E até agora a gente tá tentando entender esse terror que aconteceu em frente do Hutz”, diz um trecho da publicação.
O autor também relata que policiais teriam apontado armas na direção de participantes, utilizado balas de borracha e spray de pimenta, além de realizado abordagens físicas.
Ele descreve ainda uma nuvem de fumaça no local e afirma que a situação marcou as pessoas que acompanharam a ocorrência.
O relato expressa a percepção de quem presenciou a intervenção. As alegações sobre agressões, ferimentos e o emprego dos diferentes instrumentos policiais dependem de esclarecimento e apuração específica.
A divulgação do vídeo ampliou a repercussão do caso e motivou questionamentos sobre a necessidade e a proporcionalidade da atuação policial.
PT de Guarapuava denuncia violência contra militantes
Em nota oficial, o Partido dos Trabalhadores de Guarapuava repudiou a atuação da Polícia Militar durante as manifestações realizadas após a confirmação do resultado eleitoral.
Segundo o partido, a comemoração reunia militantes que exerciam o direito de manifestação em um espaço público.
Na avaliação do diretório municipal, a intervenção policial foi desproporcional e transformou um momento de celebração em uma situação de violência.
O PT afirma que policiais utilizaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta e que uma filiada foi agredida e detida, inicialmente sob a alegação de desacato à autoridade.
A legenda também questionou o tratamento dado às diferentes manifestações políticas realizadas na cidade durante o domingo. Segundo a nota, grupos de apoiadores de Jair Bolsonaro teriam circulado pelas ruas em comemorações anteriores sem impedimento policial.
Essa comparação integra a manifestação do partido e não foi acompanhada, no material divulgado, de informações suficientes para estabelecer se as circunstâncias das diferentes concentrações eram equivalentes.
O diretório municipal cobrou esclarecimentos sobre a operação, investigação das denúncias e eventual responsabilização de agentes caso sejam constatados abusos.
“A atuação policial deve ser pautada pela legalidade, pela proporcionalidade e pelo respeito à integridade física e à dignidade de todas as pessoas”, afirmou o partido.
A nota também manifestou solidariedade às pessoas que, segundo a legenda, foram atingidas durante a intervenção.
Polícia Militar afirma que atuou para garantir a ordem pública
Procurada para esclarecer a atuação policial durante as manifestações após o resultado das eleições, a Polícia Militar do Paraná encaminhou uma nota oficial por meio do Centro de Comunicação Social da corporação.
No documento, a PMPR afirma que sua atuação teve como objetivo garantir o livre exercício do direito de manifestação, preservar a ordem pública e assegurar a segurança da população.
A corporação ressaltou que o direito de manifestação deve ser respeitado, mas afirmou que realiza intervenções quando identifica situações que ultrapassam os limites legais.
“Quando ocorrem situações que ultrapassam os limites legais, com a prática de condutas ilícitas, a Corporação realiza a pronta intervenção, adotando as medidas necessárias para restabelecer a ordem”, informou.
A Polícia Militar também explicou que, dependendo das circunstâncias, os agentes podem utilizar instrumentos de menor potencial ofensivo, desde que observados os protocolos vigentes.
A nota, no entanto, não detalhou quais situações específicas teriam motivado a intervenção registrada na Rua Padre Chagas, nem informou quais instrumentos foram efetivamente utilizados naquela ocorrência.
PM cita encaminhamentos em Guarapuava e outras cidades do Paraná
Na mesma manifestação, a Polícia Militar informou que ocorrências registradas em Guarapuava, Apucarana, Ibiporã e outros municípios paranaenses resultaram em encaminhamentos relacionados a situações de desacato, posse de drogas, desobediência e lesão corporal.
Segundo a corporação, os envolvidos foram encaminhados para os procedimentos legais cabíveis.
A nota não apresenta, entretanto, um balanço separado por município. Dessa forma, não é possível identificar, apenas com as informações fornecidas, quais dessas situações foram registradas especificamente em Guarapuava.
Também não foram detalhados o número de pessoas encaminhadas na cidade, as circunstâncias da detenção mencionada nas denúncias ou os procedimentos adotados durante a abordagem em frente ao bar.
A PM acrescentou que a eventual responsabilização dos envolvidos será analisada pelas autoridades competentes.