Justiça aceita denúncia contra primo de vereador de Goioxim morto por estrangulamento; caso era tratado inicialmente como infarto

José Neuri da Silva, de 58 anos, morreu em julho de 2025, em uma área de mata entre Goioxim e Cantagalo. Após a perícia apontar que a morte foi provocada por estrangulamento, a Polícia Civil investigou o caso. Agora, o primo da vítima se tornou réu por homicídio qualificado e duas fraudes processuais.
José Neuri da Silva, vereador de Goioxim, morreu em julho de 2025. A Justiça aceitou denúncia contra um primo da vítima, acusado de homicídio por estrangulamento e duas fraudes processuais.
José Neuri da Silva, vereador de Goioxim, morreu em julho de 2025. A Justiça aceitou denúncia contra um primo da vítima, acusado de homicídio por estrangulamento e duas fraudes processuais.

A Justiça do Paraná aceitou, nesta segunda-feira (26), a denúncia do Ministério Público contra um primo do vereador de Goioxim, José Neuri da Silva, que morreu aos 58 anos, em 22 de julho de 2025. A morte, inicialmente tratada como um possível infarto, passou a ser investigada como homicídio depois que um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que o parlamentar foi vítima de estrangulamento. O acusado, identificado pelas iniciais D. J. S., tornou-se réu por homicídio qualificado pelo emprego de asfixia e por duas fraudes processuais. A informação foi divulgada pelos advogados que representam a filha da vítima.

A decisão foi tomada pela Vara Criminal da Comarca de Cantagalo, responsável pelo processo. A denúncia havia sido apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) no dia 20 de outubro de 2026.

Com o recebimento da acusação, o caso passa a tramitar como ação penal contra o primo do vereador. Isso não significa que ele tenha sido condenado, mas que a Justiça considerou haver elementos suficientes para dar continuidade ao processo.

Primo do vereador é acusado de estrangulamento e de tentar atrapalhar as investigações

De acordo com a nota pública divulgada pelo escritório Advocacia Nicolau, que representa a filha de José Neuri, o Ministério Público acusa D. J. S. de ter provocado a morte do parlamentar por asfixia mecânica, mediante estrangulamento.

O crime teria ocorrido em uma área de mata na zona rural, na divisa entre os municípios de Cantagalo e Goioxim, na região central do Paraná.

A acusação se baseia, entre outros elementos, no laudo de necropsia elaborado pelo Instituto Médico-Legal, que identificou sinais compatíveis com estrangulamento.

Além do homicídio qualificado, o Ministério Público atribui ao acusado duas fraudes processuais.

Segundo a nota dos advogados, o primo da vítima teria alterado a cena do crime e apagado registros de comunicações de seu aparelho celular. A suspeita é de que essas ações tenham sido praticadas para dificultar o esclarecimento dos fatos e induzir a Justiça e a perícia ao erro.

O homicídio qualificado pelo emprego de asfixia é classificado pela legislação brasileira como crime hediondo.

A nota não apresenta detalhes sobre a possível motivação do crime. O processo tramita sob segredo de justiça.

Justiça determina que acusado apresente defesa em 10 dias

Ao receber a denúncia, a Justiça reconheceu a existência de provas de que houve um crime e de indícios suficientes de que o acusado possa ter participado dos fatos.

Com isso, foi determinada a citação de D. J. S., que terá prazo de 10 dias, a partir da citação, para apresentar sua resposta à acusação.

Como se trata de um crime contra a vida, o caso poderá ser julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar acusações de homicídio doloso.

Antes disso, porém, o processo precisa passar por uma primeira fase, na qual serão analisadas as provas e os argumentos da acusação e da defesa. Somente depois dessa etapa será decidido se o réu deverá ser submetido a julgamento por jurados.

O recebimento da denúncia não representa uma condenação. A responsabilidade criminal do acusado ainda será analisada pela Justiça.

Morte foi inicialmente tratada como infarto, mas perícia apontou estrangulamento

A morte de José Neuri da Silva ganhou repercussão em julho de 2025, quando o vereador foi encontrado morto após uma caminhada em uma área de mata na região de Cantagalo.

Na ocasião, a informação inicial era de que ele teria sofrido um mal súbito enquanto caminhava acompanhado de um amigo. A suspeita de infarto chegou a ser divulgada como possível causa da morte.

A Prefeitura de Goioxim decretou luto oficial de 3 dias pela morte do parlamentar.

Entretanto, o resultado da necropsia mudou os rumos da investigação.

Em agosto de 2025, os advogados da família divulgaram uma nota informando que a perícia havia descartado a hipótese de morte por infarto e identificado elementos que indicavam estrangulamento.

Entre os achados periciais estavam a fratura do osso hioide, localizado na região do pescoço, e hemorragias internas compatíveis com trauma.

Essas evidências levaram à conclusão de que a morte havia sido provocada por asfixia mecânica.

A partir dos resultados, a Polícia Civil deu continuidade às investigações para esclarecer as circunstâncias do homicídio e identificar o responsável.

Mais de um ano depois, o Ministério Público apresentou a denúncia que agora foi aceita pela Justiça.

Família considera decisão um avanço na busca por justiça

Em manifestação divulgada nesta segunda-feira (26), os advogados Miguel Nicolau Junior, Elizanne Marcondes Soares e Felipe Colman Bahls afirmaram que o recebimento da denúncia representa um avanço importante para o esclarecimento da morte do vereador.

Segundo a nota, a família acompanha as investigações desde o início e considera a decisão judicial um passo decisivo para que os fatos sejam analisados pela Justiça.

O escritório informou que continuará atuando ao lado do Ministério Público, acompanhando os atos do processo e contribuindo para a produção de provas.

A família também agradeceu o trabalho da Polícia Civil do Paraná, da Polícia Científica e do Ministério Público.

Por fim, os advogados reforçaram o pedido de respeito à dor e à privacidade dos familiares.

Como a ação penal tramita sob segredo de justiça, o escritório informou que não divulgará outros detalhes do processo neste momento.

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