Após denúncias, alegação de tentativa de extorsão e repercussão sobre advogados citados no caso do padre Jean Patrik, OAB Guarapuava divulga nota oficial

Entidade se manifesta após advogados da Subseção serem mencionados nos desdobramentos do caso que envolve prints divulgados nas redes sociais, operação da Polícia Civil, investigação interna da Diocese e documento em que o sacerdote afirma ter sido vítima de tentativa de chantagem financeira.
Fachada da OAB Subseção Guarapuava
Fachada da OAB Subseção Guarapuava. Foto de arquivo: Reprodução/ OAB Guarapuava

A pedido da reportagem do Atento News, a OAB Subseção Guarapuava divulgou, na tarde desta segunda-feira (2), uma nota oficial após advogados da Subseção — que não tiveram os nomes divulgados — passarem a ser mencionados publicamente nos desdobramentos do caso que envolve o padre Jean Patrik Soares (pároco da Catedral), afastado das funções pastorais pela Diocese de Guarapuava. O caso ganhou grande repercussão nos últimos dias após a divulgação, nas redes sociais, de prints de supostas mensagens íntimas atribuídas ao padre e a uma fiel, além da alegação de tentativa de extorsão apresentada pelo sacerdote. Em nota, a entidade afirmou expressar “apoio institucional aos colegas” e reforçou o compromisso de zelar pelas prerrogativas profissionais, pelo devido processo legal e pela ampla defesa. (Veja a íntegra ao fim da reportagem.)

Entenda o caso

O caso começou a ganhar ampla repercussão após a circulação, nas redes sociais, de prints de supostas mensagens íntimas atribuídas ao padre Jean Patrik e a uma fiel da comunidade. A reportagem não conseguiu localizar a mulher mencionada nas conversas para comentar o caso.

No dia 11 de fevereiro, foi realizada uma operação da Polícia Civil em Guarapuava. No dia seguinte, 12 de fevereiro, a Diocese de Guarapuava divulgou nota oficial informando que havia tomado conhecimento da ação policial. No comunicado, a instituição esclareceu que a investigação dizia respeito a uma situação de caráter pessoal atribuída a um presbítero, e que, até aquele momento, não havia qualquer investigação direcionada à instituição eclesiástica ou às suas atividades pastorais e administrativas.

A Diocese também afirmou, na ocasião, que estava à disposição para colaborar com as autoridades dentro dos limites da lei e destacou que o bispo diocesano acompanhava o caso com responsabilidade pastoral e institucional.

Padre Jean Patrik, pároco da Catedral Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava
Padre Jean Patrik. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Com a continuidade da repercussão e a divulgação de novos registros nas redes sociais, a Diocese anunciou, na última sexta-feira (28), o afastamento do padre das funções pastorais. Na mesma nota, informou a instauração de uma investigação prévia com base no Código de Direito Canônico, procedimento interno da Igreja destinado a apurar os fatos e verificar a veracidade das informações antes de eventual adoção de medidas disciplinares.

Foi também nesse comunicado que a Diocese trouxe oficialmente a público o nome do padre Jean Patrik Soares. Até então, nos posicionamentos anteriores, a instituição havia se referido ao caso apenas como uma situação atribuída a um presbítero, sem divulgar a identidade do sacerdote envolvido.

Documento fala em tentativa de extorsão

Após a divulgação dos prints, passou a circular um documento assinado em nome do padre Jean Patrik Soares, datado de 27 de fevereiro de 2026. O conteúdo foi divulgado com exclusividade pelo Portal Rede Sul de Notícias.

No texto, o sacerdote afirma que, há cerca de um ano, no exercício do serviço pastoral, acolheu uma fiel que buscava ajuda para sair de uma situação descrita por ele como um “ciclo de sofrimento psicológico”. Ele declara que esse contexto teria sido distorcido e utilizado contra ele de forma maliciosa, acrescentando que a jovem também seria inocente na situação.

O documento afirma ainda que o padre teria sido alvo de uma “grave tentativa de chantagem financeira”, fato que, segundo ele, teria sido denunciado imediatamente às autoridades. Ele declara ter recusado qualquer negociação com o que chama de mentira.

No texto, também consta que conteúdos teriam sido produzidos e manipulados tecnologicamente e divulgados fora do devido contexto processual, com a intenção de desinformar e causar danos.

O sacerdote afirma que, neste processo, se considera vítima e não investigado, e diz confiar que a verdade será restabelecida. Ele também menciona estar recebendo apoio do bispo diocesano, Dom Amilton, e afirma que o caso estaria sendo conduzido sob responsabilidade da Justiça.

Reportagem procurou o padre

A reportagem procurou o padre para solicitar um posicionamento oficial sobre o caso. Ele preferiu não gravar entrevista e afirmou: “remeto-me à nota já divulgada”.

Nas redes sociais, ele tem compartilhado mensagens de apoio enviadas por fiéis.

Polícia foi procurada pela reportagem

A reportagem também solicitou informações à assessoria de comunicação da Polícia Civil do Paraná sobre a operação mencionada na nota oficial divulgada pela Diocese de Guarapuava. Até o momento, não houve retorno.

Posicionamento da OAB

Embora os nomes dos advogados não tenham sido oficialmente divulgados no documento que remete ao padre, a pedido da reportagem do Atento News, a OAB Subseção Guarapuava se manifestou.

O objetivo da nota, segundo o próprio texto, é reforçar o apoio aos profissionais citados e reafirmar o compromisso da entidade com a defesa das prerrogativas da advocacia — garantias legais asseguradas aos advogados no exercício da profissão.

Além disso, a Ordem ressalta que sua missão também envolve a proteção do devido processo legal, bem como dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, especialmente em casos que ganham forte repercussão pública.

A nota também menciona a atuação do Conselho Disciplinar da Subseção, responsável por apurar eventual descumprimento das normas éticas da profissão, caso haja fatos comprovados.

Nota da OAB na íntegra

“Ante os fatos noticiados pela imprensa local, envolvendo um pároco e advogados desta Subseção de Guarapuava, a OAB expressa, de público, o seu apoio institucional aos colegas, reafirmando o compromisso de inibir a pratica de quaisquer atos que importem em violação das suas prerrogativas profissionais.

Por outro lado, ressalta que a sua missão é zelar pela observância das garantias constitucionais consubstanciadas no devido processo legal e nos princípios da ampla defesa e contraditório.

Por fim, registre-se que esta Subseção, por seu Conselho Disciplinar, atua diretamente na preservação da ética profissional, de modo que, eventual e comprovada falta disciplinar, culminará na adoção das sanções de que trata o Código de Ética e disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil.”

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